A palavra “cosmovisão” não compreende uma definição genérica, mas alguns aspectos do seu conceito podem ser encontrados em diferentes definições. De início pode-se dizer que a cosmovisão se torna a forma como homens e mulheres fundamentam sua razão de ser e existir no cosmos (DOMINGUES, 2018, p. 16). O termo cosmovisão é uma tradução da palavra alemã weltanschauung, que significa ‘modo de olhar o mundo’ (welt – mundo, schauen – olhar). É a maneira como a pessoa encara, age e reage em relação aos acontecimentos (PEARCEY, 2006, p. 56). Há algumas definições que alguns cristãos têm dado ao termo cosmovisão:

James Sire destaca que “uma cosmovisão é um conjunto de pressuposições sobre a formação básica do mundo. É o sistema de crenças completo e fundamental de uma pessoa”.
Phillipes e Brown, mostram, que “uma cosmovisão é uma explicação e interpretação do mundo e uma aplicação dessa visão à vida”.
Walsh e Middleton, abordam, que a cosmovisão “fornece um modelo do mundo que orienta o seu aderente nesse mundo” (BLOCHER, 2007, p. 3).

Todas as pessoas têm uma cosmovisão. Se uma pessoa é capaz de usar o termo “cosmovisão”, ela tem uma. Elas podem não ser capazes de articular todas as suas crenças sobre tudo, ou mesmo conscientemente saber quais são essas crenças, mas elas sustentam crenças sobre tudo no mundo e sobre o mundo (BLOCHER, 2007, p. 2). Porém, uma cosmovisão cristã colocará o entendimento do universo como criação de Deus, e em todas as esferas de conhecimento, possíveis de estarem presentes na humanidade, como procedentes do Deus único e verdadeiro, Senhor do universo, comunicadas às pessoas por Cristo “… no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Colossenses 2.3) (COUTINHO, 2018, p. 2). Em uma cosmovisão cristã, não deve existir dicotomia entre o espiritual e o secular, antes a vida é concebida de uma forma plena, pois tudo o que o ser humano faz deve refletir a glória de Deus. Isso indica que todos os atos humanos devem ser levados a Deus, ou seja, devem estar debaixo da sua gloriosa e soberana vontade.

As pessoas aprendem as cosmovisões de seus pais e de suas comunidades. Portanto, são principalmente as ideias do passado que moldam as do presente. Mas, as pessoas podem, e de fato mudam suas cosmovisões, motivadas pelas mudanças que ocorrem no mundo a seu redor e pelas mudanças na própria maneira de pensar (HIEBERT, 2016, p.100). Assim, a palavra cosmovisão pode ser compreendida como um mapa que orienta a forma como cada ser humano se movimenta no mundo, quer seja em seu comportamento, suas crenças, seus valores, seus posicionamentos ou sua cultura (DOMINGUES, 2018, p. 16).

Toda cosmovisão é incorporada à maneira de ser de cada pessoa. Essa maneira é exteriorizada e interiorizada, quer de forma consciente ou inconsciente. As ideias formam a base da nossa cosmovisão, o filtro através do qual canalizamos nossas experiências e ideais, governamos ou julgamos sua eficácia, pensamentos, tomamos decisões e as vestimos com palavras para nos comunicar com os outros (YOUMANS, 2017, p. 42).  O certo é que ela está lá em estado não aparente, tornando-se definidora de um olhar assumido na interpretação e compreensão da realidade.

Soma-se a estes fatores a não padronização, da multiplicidade de lentes e das divergências, ainda se tem a presença forte do processo de secularização, que tem por pressuposto uma visão humanista da realidade, a qual se distancia de uma perspectiva religiosa ou espiritual (SOUZA, 2017, p. 102). Isso indica que a lente eleita no secularismo compreende a vida a partir das próprias construções sociais que são realizadas pela humanidade.

O estudo das cosmovisões é uma análise das ideias que influenciam quase todo pensamento e toda decisão que uma pessoa faz no curso de sua vida. Este é um tópico de importância para os cristãos por causa da diversidade crescente das pessoas no mundo e as pressões sociais, políticas, morais e teológicas que disso resultam. À medida que as visões das pessoas sobre Deus, os seres humanos, a verdade, a moralidade e o comportamento humano se tornam mais diversos, o potencial para a confusão cresce.

Muitos cristãos têm considerado respostas seculares para solucionar as questões básicas humanas, demonstrando interferências em sua maneira bíblica de pensar e agir. Numa sociedade pós-moderna em que somos bombardeados o tempo todo com afirmações de que a verdade é relativa, tudo diz respeito ao homem e seu desejo, é preciso estar ciente de sua cosmovisão para não ser levado ao relativismo, humanismo ou secularismo.

Eduardo Leimann Balaniuk
Intérprete de Libras e Professor na FBP.

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REFERÊNCIAS:

BLOCHER, Mark. Cosmovisão: uma introdução. Trad. Felipe Sabino de Araújo Neto. Brasília: Monergismo, 2007. Disponível em: <http://www.monergismo.com/tex tos/cosmovisao/intro-cosmovisao_blocher.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2020.

COUTINHO, Hugo. Entendendo a cosmovisão cristã. Revista cristã erudito, ano 02, abril 2018.

DOMINGUES, Gleyds. Cosmovisão & Educação: panorama histórico e temático. Curitiba: Emanuel, 2018.

HIEBERT, Paul G. Transformando cosmovisões: uma análise antropológica de como as pessoas mudam. Trad. Carlos Lopes. São Paulo: Vida Nova, 2016.

PERACEY, Nancy. Verdade Absoluta: libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

SOUZA, José Neivaldo (Org.). Teologia e ética no cuidado pastoral. Curitiba: Fabapar, 2017.

YOUMANS, Elizabeth L. ADAMS, Carole G. Renovando a mente do educador: adquirindo a mente de Cristo na educação. São José dos Campos, SP: AECEP, 2017.

INDICAÇÕES DE OUTRAS REFERÊNCIAS:

DOMINGUES, Gleyds Silva. Cosmovisões: (in) visibilidade das maracas discursivas voltadas à formação humana em projetos político-pedagógicos de instituições de ensino. São Leopoldo – RS: EST, 2015.

DOMINGUES, Gleyds. Aletheias: a jornal of bilical studies, theolgy, & ministry. (Cosmovisão cristão bíblica e o sentido da fé: por uma proposta formativa de excelência). Winston-Salem, North Carolina, 2019.

SIRE, James W. Dando nome ao Elefante: cosmovisão como um conceito. Trad. Paulo Zacharias; Marcelo Herberts. Brasília: Monergismo, 2012.

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