O mês de outubro está se aproximando. Nesta época é comum olharmos para as crianças e vivermos momentos nostálgicos com muitas memórias de como éramos naquela época. Você, por exemplo, lembra de quando era criança? Lembra de como era bom o mundo imaginário que criava? Tudo parecia tão grande, tão lindo e tão colorido, não é mesmo?! Areia e barro viravam bolo, pedras viravam doces e a sombra de uma árvore virava uma grande mansão; uma pequena poça de água virava uma piscina e um carrinho de plástico virava o carro mais rápido e veloz do mundo. Tudo parecia perfeito, e todos eram felizes. Os pais eram considerados os melhores heróis e a fantasia da imaginação tornava os dias mais leves e alegres. Claro que nem tudo era tão lindo, pois por vezes, o tombo era tão grande que o rosto era tomado de lágrimas. No entanto, após o choro de dor novamente surgia o sorriso que nem cabia no rosto. Quando adultos, a não ser nesta data é comum que não pensemos tanto sobre a criança e sua importância. Talvez não a olhemos como deveríamos e sequer nos perguntamos: “o que significa ser criança?” Mas deveríamos fazer isto, afinal nunca se deu tanta atenção aos estudos sobre a infância e sobre a criança.

Primeiramente, com relação à infância, existe atualmente uma vasta gama de estudos científicos relacionados ao tema, devido à preocupação da sociedade com o ser humano e os primeiros anos de vida (o período da infância).[1]Para alguns, a infância é uma fase da vida onde reina a fantasia e a liberdade. Para outros, é uma etapa da vida onde a criança é considerada como “um adulto em miniatura”. Outros ainda consideram a infância como uma fase em que a criança vai ser preparada para o futuro.

Quanto ao significado “criança”, conforme o dicionário, a expressão denota um menino ou uma menina que se encontra no período entre a infância e a puberdade ou ainda um ser humano de pouca idade. Seu sinônimo é infantil, isto é, alguém que tem um caráter de criança ou um filho (um indivíduo que é descendente); aquele que tem sua origem em certa família, cultura ou sociedade.[2] Sendo assim, há pelo menos três fatores que influenciam a vida de uma criança: Hereditariedade (características físicas e temperamento resultante dos seus pais); Ambiente (lugar para ocorrer o desenvolvimento físico, emocional e social); e Decisões (que a criança virá a tomar).

Para entender ainda melhor os significados acerca da infância e da criança faz-se necessária, também, uma contextualização, visto que a cultura da época e a condição social influenciam muito. Ser criança na sociedade contemporânea é bastante diferente de ser criança nos períodos históricos anteriores. Vale frisar que sua definição depende da cosmovisão de um adulto, e por isso, a vivência da infância muda conforme os paradigmas do contexto. Esta variação também ocorre em relação à idade máxima em que considera-se alguém como uma criança, visto que muda de acordo com o país. No Brasil, por exemplo, um menino ou menina é considerado como criança até seus 12 anos. Depois disso já é considerado como adolescente. Já na Alemanha essa idade se estende até os 14 anos.

De acordo com a Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 20 de novembro de 1989, é considerado como criança todo indivíduo com menos de 18 anos de idade. No Brasil, esse reconhecimento se deu com a Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A partir dela, crianças e adolescentes, de 0 a 18 anos, foram considerados cidadãos perante o Estado e legitimadas como pessoas em situação de desenvolvimento, precisando de condições especiais em cada ciclo de vida.

No contexto bíblico, não há uma ideia claramente estabelecida em relação ao momento em que a pessoa deixa de ser criança. No entanto, o que é claramente perceptível é a forma como Deus vê a criança. Ao ler o Salmo 139, é interessante observar que Ele entende as crianças de forma individual e integral. Deus valorizou a sua criação desde o princípio (e ainda valoriza). A vida começa no momento da concepção do novo ser, quando se juntam duas células vindas de dois seres diferentes. Deus criou vários órgãos e diferentes partes do corpo de uma maneira organizada. Criou músculos, tendões, ossos, sangue, veias e artérias e estas compõem um ser maravilhoso. Além disso, o Senhor cuida de todo o desenvolvimento do ser humano, desde a vida intrauterina. O corpo, embora frágil, é de uma complexidade indescritível. Deus compreende todos os pensamentos e a razão de cada uma das atitudes, pois conhece e aprecia aquilo projetou.

Portanto, a Bíblia não parece apresentar uma descrição técnica e precisa acerca do conceito de criança, apontando a idade limite da infância, por exemplo. No entanto, ela nos mostra como devemos olhar para a criança e, por conseguinte, nos faz enxergá-la de forma nítida e colorida. Ou seja, ela nos dá a possibilidade de olhar para elas com o olhar de Jesus. Para ele, elas eram pessoas reais, com suas próprias características e carentes do seu amor. Para o Senhor, as crianças não eram um incômodo, um meio para alcançar os pais ou alguém que futuramente viria a ser valioso, mas um ser humano que já possui o seu valor, criado e amado por Deus. Ele frequentemente parava o que estava fazendo para dar atenção a elas. Da mesma forma, quando vemos as crianças assim como Jesus as vê, ministrar a elas torna-se uma prioridade para nós. A Bíblia nos diz em 1 Tm 2.4 que Deus deseja que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao conhecimento da verdade. Isto certamente inclui as crianças. Assim, se a missão da igreja é proclamar a salvação a todos, devemos incluir as crianças nesta proclamação.

Jaqueline Bresch
Missionária de crianças da CBP


[1] BEZERRA LINS, Samuel Lincoln et al. A compreensão da infância como construção sócio-histórica. CES Psicol., Medellín, v. 7, n. 2, pág. 126-137, dez. de 2014. Disponível em: <http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2011-30802014000200010&lng=en&nrm=iso>. acesso em 05 de setembro de 2022.

[2] SACCONI, Luiz   Antonio. Grande   dicionário   Sacconi:   da   língua   portuguesa:   comentado, crítico   e enciclopédico. São Paulo: Nova Geração, 2010.

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