Segundo o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 24% da população brasileira é composta por pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Atualmente o Brasil possui 45 milhões de pessoas com deficiência. Este grupo de pessoas está diretamente relacionado nos meios onde convivemos. Seja na escola, igreja, família, grupo de amigos entre outros, sempre estaremos rodeados de pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Aliás, o termo deficiência deve ser abordado com cautela, pois apontar alguém como deficiente é também uma forma de dizer que aquele indivíduo não possui algo, que ele é falho, que possui um desajuste social e individual. Diante disso, percebe-se que há uma necessidade de sabermos conviver com o diferente e com as diferenças dos outros.

Incluir pessoas com deficiência em nossas igrejas não é tarefa simples. A inclusão vai muito além de dar acesso, envolve a capacidade das pessoas em lidar com o que não conhecem. Um dos motivos que levam os deficientes a se distanciarem das igrejas é pela falta de pessoas preparadas em saber lidar com esse público. Nós cristãos somos chamados a ser a luz e o sal do mundo, isto significa que nosso exemplo deve ser diferente. Nosso envolvimento para com os que ainda não conhecem a Cristo deve ser excelente. Em Colossenses 4.5a, Paulo afirma: “Sejam sábios no procedimento para com os de fora”, ou seja, devemos nos portar com sabedoria com aqueles que ainda não conhecem este maravilhoso amor de Cristo. Isso diz respeito à nossa conduta diária. As pessoas nos observam, por isso precisamos cuidar com o nosso testemunho.

Precisamos aprender a zelar pelo bem-estar das pessoas com deficiência. Entendê-los em suas dificuldades e apresentar propostas de ajuda são formas de incluí-los na sociedade e valorizá-los. No entanto, na verdade, estes ainda são minoria. Infelizmente encontramos nas igrejas muita confusão e pouca informação sobre o assunto e, como resultado, a indiferença. É preciso ouvir as vozes daqueles que têm algum tipo de deficiência para que possamos entender sua vida e o clamor de seu coração.

A Palavra de Deus nos mostra que somos criados a imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.26). Isso mostra que todos são iguais perante Ele, e esse amor é demonstrado com Jesus indo ao encontro de todo tipo de pessoa. A Bíblia mostra a preocupação especial de Deus com as pessoas que são desfavorecidas e excluídas. Quando vemos os relatos dos Evangelhos, vemos as histórias das pessoas que Jesus curava: cegos, surdos, deficientes físicos, entre outros. O contexto da época mostrava que pessoas diferentes aos de padrões ditos normais pela sociedade eram marginalizadas e excluídas da sociedade, mas Jesus se preocupava com elas e tratava suas necessidades demonstrando que também eram dignas de serem tocadas por Ele.

Em 1 Coríntios 12, Paulo fala da igreja como um corpo. Apesar de que sejamos diferentes, todos nós temos valor para Deus. Não há ninguém sem mérito e valor no reino de Deus. Fomos todos criados para um fim, com algo de valor para oferecer. A igreja é chamada a ser uma comunidade inclusiva que ofereça amor, valor e respeito a todas as pessoas. Nós somos chamados a não ter preconceitos e a dar a todas as pessoas a oportunidade de desempenhar um papel na igreja e assim que possa desenvolver seus dons e talentos.

É curioso perceber o quanto sentimos pena das pessoas com deficiência, mas não queremos ir muito além disso. Porém, sabemos que pessoas com deficiência não são vítimas e não querem nosso compadecimento, mas nosso apoio e amizade genuína. Há uma grande diferença entre pena e compaixão. A verdade é que a pena não ajuda ninguém, enquanto a compaixão, conforme a que Cristo demonstrou em seu ministério, tem um enorme potencial para proporcionar oportunidades de desenvolvimento pessoal.

Passos para a igreja incluir pessoas com deficiência:

  1. Seja natural. Somos todos humanos, só que com algumas diferenças.
  2. Trate com respeito. Uma pessoa de 30 anos não deve ser tratada como criança.
  3. Mudanças. É importante fazer um diagnóstico antes de começar a mudar a estrutura da igreja. Converse com a diretoria, busque avaliar se há como incluir a pessoa com deficiência em vários ministérios.
  4. Seja criativo. Utilize o que está a sua disposição para trabalhar com pessoas com deficiência.
  5. Informe-se das leis. É importante saber as leis que abordam a deficiência.
  6. Estruture o ambiente previamente. Elabore materiais, sala, recursos visuais, programa com antecedência.
  7. Ensino simples. A linguagem deve ser clara. Atividades curtas.

Percebemos que as igrejas (a igreja somos nós) ainda apresentam desculpas quanto ao oferecer acessibilidades àqueles que necessitam de ajuda. O fato de um cego não saber se guiar dentro da igreja, o surdo não ter interpretação, o cadeirante não ter acesso em locais que há degraus, entre outros fatores pode significar uma desmotivação para estas pessoas irem à igreja. A acessibilidade deve fazer parte do cotidiano das igrejas. Não há receita pronta, mas há uma necessidade! E a primeira necessidade deve ser em demonstrar amor. Através disso, as barreiras que impedem o acesso deste grupo de “diferentes” começarão a ser alcançados.

Pr. Eduardo Leimann Balaniuk
Professor e Interprete na FBP

Referências:

DARKE, Brenda. Deficiente, o desafio da inclusão na igreja. São Paulo: Hagnos, 2015.

MÜLLER, Iára. Aconselhamento com pessoas portadoras de deficiência: experiência de um grupo na comunidade. São Leopoldo: Sinodal, 1999.

COSTA-RENDERS, Elizabete Cristina. Inclusão de pessoas com deficiência: um desafio missionário. São Bernardo do Campo: EDITEO, 2009.

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