A palavra “teologia” não é encontrada na Bíblia. Mesmo assim, ela é bíblica em seu caráter. O termo, segundo seus aspectos etimológicos, é composto de duas palavras gregas: Theos (Deus) e logos (palavra, fala, expressão, tratado, ciência). A teologia, é portanto uma Theo-logia, isto é, uma palavra, uma fala ou expressão sobre Deus; uma doutrina sobre Deus. É o estudo sobre a revelação de Deus que é a expressão dos Seus pensamentos e, assim, é também o estudo sobre Sua própria Pessoa. Portanto teologia é o estudo sobre Deus, sua obra e sua revelação.
O teólogo Millard Erickson faz a seguinte definição do termo: “Teologia é aquela disciplina que se esforça para apresentar uma declaração coerente da doutrina da fé cristã, baseada principalmente nas Escrituras, colocada no contexto da cultura geral, expressa em idioma contemporâneo e relacionada com a maneira de viver do homem”.
Alguns poderiam imaginar que a teologia é semelhante a outras ciências como a biologia, a sociologia, a psicologia, etc. Entretanto, há uma diferença bastante significativa entre estas “ciências”. Na biologia (bios = vida), por exemplo, podemos pegar o objeto de estudo, como uma planta ou um animal, levá-lo a um laboratório e dissecá-lo com um microscópio ou outros instrumentos, ou ainda sujeitá-lo a elementos químicos para ver as reações e modificações. Nos últimos anos tem-se avançado tanto nas pesquisas científicas que é possível inclusive elaborar um mapeamento genético extremamente minucioso de qualquer ser vivo. Mas a pergunta intrigante é a seguinte: seria possível fazer isso com o objeto de estudo da teologia? Seria possível levar Deus a um laboratório e analisá-lo com os equipamentos mais modernos que já foram inventados pelo ser humano?
Na verdade, esta pergunta não é apenas nossa ou dos estudiosos do século XXI. Já o amigo de Jó, chamado Zofar, perguntou isto há alguns milhares de anos atrás: “É possível conhecer a Deus em profundidade?” (Jó 11.7). Temos que reconhecer que há uma diferença abismal entre Deus e o ser humano, seja em posição (Deus é criador e nós somos criaturas), seja em poder (ele é onipotente e nós somos totalmente dependentes), seja em conhecimento (Deus é onisciente e nós não conhecemos nem sequer a nós mesmos), seja em caráter (Deus é totalmente santo e nós somos pecadores). É esta diferença que torna impossível ao ser humano conhecer totalmente a Deus. Por isso, a única chance ao ser humano foi o fato de Deus ter-se revelado a nós. E ainda bem que Ele o fez!
O nosso problema não é nem o caso de conhecê-lo em “profundidade”. Temos dificuldade até mesmo de darmos uma definição de Deus. Do ponto de vista bíblico, geralmente se concorda que é impossível dar uma definição rigorosa da ideia de Deus. Definir, que significa limitar (dar os limites), envolve a inclusão do objeto dentro de uma certa classe ou proposição universal conhecida e a indicação dos seus aspectos distintivos comparados com outros objetos daquela mesma classe. Visto que Deus é único e incomparável, não há nenhuma categoria universal a que possa ser comparado ou classificado. O próprio Deus nos desafia a isto: “A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? – diz o Santo” (Is 40.25).
É fácil definirmos uma mesa, por exemplo. Ela tem pernas e uma plataforma fixa sobre as mesmas. É como aquela sobre a qual está o meu computador enquanto escrevo este texto. Qualquer outra mesa pode ser comparada a ela, mesmo que seja de material diferente, de outra cor, um pouco mais alta ou mais baixa, mas sempre saberei o que é uma mesa. Mas quando penso em Deus, a que posso compará-lo? Aí começamos a entender o quanto somos limitados.
Talvez a conclusão lógica seria então que é impossível fazer “teologia”, já que nem sequer podemos dar uma definição completa e satisfatória do próprio objeto de estudo da teologia. Mas, e se entendêssemos teologia não como uma tentativa de definir Deus (já que nunca conseguiremos fazê-lo plenamente), mas sim como uma compreensão do relacionamento que este Deus quer ter com o ser humano? Talvez justamente aí resida o centro da nossa questão: nós jamais poderíamos alcançar a Deus; por isso, Deus nos alcançou através da sua “revelação”. E isso eu posso compreender, isso eu posso estudar e, muita mais, isso eu posso viver.
Na verdade, quando uma pessoa pergunta sobre a sua origem ou sobre o seu destino, está fazendo teologia. Quando uma criança pergunta sobre onde foi o seu avô que acabou de morrer, está fazendo teologia. Quando um recém convertido está exultando dentro de si, tentando compreender exatamente o que aconteceu, está fazendo teologia. Até quando um ateu está tentando provar que Deus não existe, está fazendo teologia.
É claro que existe o aspecto formal da teologia. Existem aqueles que se dedicam anos e anos ou até a vida inteira no estudo específico desta área do conhecimento. Mas teólogos, no seu sentido mais amplo, daqueles que refletem sobre Deus e sobre o maravilhoso plano que Ele tem para os seres humanos, sim, teólogos somos todos nós. Tenho eu algo a ver com isso? Claro que sim! Deus dotou você de sabedoria e inteligência; por isso, coloque-as a serviço da reflexão sobre o que o Senhor do Universo quer da sua vida.

Dr. Claiton André Kunz
Diretor da Faculdade Batista Pioneira
Presidente da ABIBET
Pastor na PIB Ijuí

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